Os trilhos pararam. Simples assim.
Não foi uma desaceleração. Foi uma parada difícil. No verão de 1894, a espinha dorsal da economia americana estagnou. Milhares de trabalhadores ferroviários recusaram-se a tocar numa alavanca. O resultado? Um impasse que se estendia do Mississippi ao Pacífico.
Este foi o ataque Pullman. E continua a ser um dos conflitos laborais mais violentos e com consequências políticas da história dos EUA.
A faísca em Chicago
Tudo começou na Pullman Palace Car Company em Chicago. George Pullman, o proprietário visionário e implacável da empresa, construiu uma cidade modelo para seus trabalhadores. Ele forneceu moradia, lojas e até um parque. Mas ele também controlava todos os aspectos de suas vidas.
Depois veio o pânico de 1893. Os negócios desaceleraram. Pullman cortou salários em 25%. Ele não cortou o aluguel na cidade da empresa. Ele não baixou os preços na loja da empresa.
Os trabalhadores não conseguiam sobreviver. Eles saíram. Eles esperavam forçar uma negociação.
Eles têm outra coisa.
A American Railway Union (ARU), liderada por Eugene V. Debs, decidiu apoiá-los. Debs não era apenas um cara local. Ele estava organizando os trabalhadores em escala nacional. Seu sindicato exigiu que as empresas ferroviárias se recusassem a operar trens que transportassem vagões Pullman.
Foi um boicote. Um desafio direto para as redes ferroviárias.
O governo intervém
A resposta foi rápida. E era federal.
As empresas ferroviárias não apenas reclamaram. Eles foram ao tribunal. Eles argumentaram que a greve estava bloqueando o comércio interestadual. Pior ainda, alegaram que isso violava a Lei Antitruste Sherman. Sim, a mesma lei que normalmente visava os monopólios das grandes empresas estava agora a ser usada para quebrar um sindicato.
Edwin Walker, advogado especial do procurador-geral dos EUA, Richard Olney, obteve uma liminar. A ordem era ampla. Efetivamente proibiu o boicote.
Quando o sindicato ignorou a ordem judicial, o presidente Grover Cleveland agiu. Ele enviou tropas federais para Chicago.
Por que? Porque Cleveland acreditava que a greve era uma obstrução ao correio dos EUA. E o correio, na sua opinião, tinha que se mudar.
Violência e Colapso
A tensão explodiu em junho.
Grevistas, sindicalistas e tropas federais entraram em confronto. A violência não foi menor. Foi mortal.
Em Chicago, o caos se espalhou. Pontes foram destruídas. os trens descarrilaram. Pessoas morreram.
O governo federal não recuou. Usou os tribunais e a cavalaria. A liminar foi mantida. As tropas ficaram.
Em meados de julho, a greve foi interrompida. As linhas ferroviárias foram reabertas. A influência da ARU foi destruída. Debs foi preso. Passou seis meses na prisão, onde aprofundou as suas convicções socialistas.
Por que é importante hoje
A greve Pullman não acabou apenas com uma disputa trabalhista. Mudou o cenário jurídico.
Posteriormente, a Suprema Corte manteve o uso de liminares em disputas trabalhistas. Estabeleceu um precedente de que os tribunais federais poderiam intervir em greves trabalhistas se interferissem no comércio interestadual. Isto deu aos empregadores uma arma poderosa.
Para os trabalhadores, foi uma dura lição. Organizar não se tratava apenas de números. Tratava-se de navegar em um sistema jurídico contra eles.
A greve também destacou o poder do governo federal. Cleveland
















